A Samsung foi certamente uma das maiores responsáveis pelo crescimento exagerado do Android, a parceria deu certo tanto para o Google que lucrou muito e conseguiu popularizar ainda mais o seu sistema e também para empresa coreana que vendeu milhões de unidades desde o Galaxy S, que foi o primeiro aparelho a "estourar" nesta parceria, podemos destacar também o Galaxy S II, S III, Note, Note II e o Tab, todos fizeram um enorme sucesso.

Mas após vários lançamentos, parece que a Samsung quer abandonar o Android. Já não é de hoje que eles não fazem questão de mostrar que seus dispositivos rodam o sistema do Google. E o que isso significa para o mercado e para nós, consumidores?

A primeira coisa a se pensar é: qual o sistema que eles irão adotar a partir de agora? Tudo indica que será o Tizen. O sistema não é completamente novo, ele surgiu do MeeGo que foi usado apenas no Nokia N9 mas acabou sendo abandonado pelos finlandeses e com ajuda da Linux Foundation está de volta. Quando testei o N9, gostei muito do MeeGo e foi muito chato usar o aparelho já sabendo que aquele sistema seria completamente abandonado, logo os desenvolvedores não iriam se interessar na plataforma.

O Tizen é um sistema multiuso, suporta diversas categorias de aparelhos incluindo smartphones, tablets, TVs inteligentes, netbooks e sistemas de entretenimento veicular, é open-source.

Uma das maiores razões para a Samsung querer deixar o Android é o maior controle sobre a experiência de uso que estão entregando aos usuários, tendo o seu próprio ecossistema (o Tizen seria capaz de oferecer isso), teriam o total poder sobre as atualizações, recursos e especificações de hardware de todos os seus produtos.

Capaz da Samsung começar a utilizar o Tizen além dos smartphones, partindo até mesmo para as TVs, e assim poderia oferecer aos consumidores uma experiência mais integrada, do jeito que a Apple busca fazer atualmente.

Além disso, poderia ser também uma tentativa de brecar o crescimento da Motorola e do Google no mercado de smartphones. A Samsung já mostrou que é capaz de criar dispositivos incríveis, e apesar de ter o Android rodando por trás de tudo, existem diversos recursos que só estão disponíveis nos gadgets deles, como é o caso do Pop-up Play do Galaxy S III e do multi-window do Galaxy Note II.

Ao mesmo tempo que parece uma ótima ideia a Samsung querer oferecer uma melhor experiência final aos usuários com o Tizen, pode ser uma má ideia abandonar o Android. Pode demorar bastante até que o Tizen se popularize o suficiente para oferecer um número considerável de aplicativos, e os consumidores já confiam no nome firmado do Android.

Aliás, aplicativos é um dos pontos que os usuários mais procuram saber ao adotar um novo sistema operacional. O Windows Phone ainda não decolou justamente por não ter um número de aplicativos tão expressivos quanto o iOS e o Android. Há possibilidades de tornar fácil a migração de apps do Android para o novo sistema, tenho certeza que a Samsung está preparada para dar suporte aos desenvolvedores em relação a isso, no final das contas o importante é ter apps de qualidade, bem desenhados e ao mesmo tempo fluídos o suficiente, não deixa de ser uma grande barreira.

Existem outros caminhos. Se a ideia da Samsung não for integrar tudo num único sistema, eles podem seguir os passos da Amazon, que lançou tablets com Android, porém totalmente customizado e com sua própria loja de aplicativos, entre outros recursos exclusivos. Os usuários do Kindle Fire não estão esperando por uma atualização do Android, muitos deles nem sabem que estão usando um dispositivo com o sistema. Vale lembrar que a Amazon já possuía uma loja cheia de aplicativos, séries, filmes, música e conteúdo para ser consumido, a Samsung ainda não possui isso, para oferecer uma versão totalmente modificada precisa-se de alguns itens importantes, como uma loja bem completa.

Será um processo devagar e 2013 é apenas o ano do início dessas modificações, a Samsung possui várias possibilidades para largar o Android, e de fato é isso o que eles querem, agora é só observar as decisões. No final das contas, poderia ser um grande erro, como diz o ditado "não morda a mão que o alimenta".