A Motorola começou a apostar nos números em 2014. O Moto G e Moto X cresceram, ganharam hardware mais robusto, mas mantiveram os preços atrativos. Ficou uma lacuna para smartphones acima dos R$ 2.000 no portfólio da companhia e o Moto Maxx chegou para ocupá-la. Os números ficaram ainda maiores, com tela QuadHD, processador quad-core de 2.7 GHz, 3GB de memória RAM, câmera de 21 megapixels e sua característica principal: uma bateria enorme. Deu certo? Abaixo estão as minhas impressões sobre o aparelho.

Design e Construção

O Moto Maxx tem design incomum, é lindo para muitos e feio para outros. A traseira construída com kevlar e nylon deixa uma boa impressão na pegada. Chega a ser engraçado porque dá vontade de passar a mão sobre o tecido o tempo todo. É um dispositivo um pouco mais pesado, levando em consideração os modelos atuais no mercado e não tem a curvatura ergonômica dos seus irmãos. As laterais são emborrachadas, ajudando na firmeza e prevenindo escorregões.

Na parte frontal, a Motorola incluiu botões capacitivos; esse aspecto traz um impacto tanto positivo, quanto negativo. Em termos de estética não é legal, os botões sempre ficam aparentes e representam os ícones do Android 4.4 KitKat. O Android 5.0 Lollipop introduziu uma nova linguagem visual e esses símbolos foram alterados. Fica uma sensação de defasagem.

A parte positiva desta característica é o melhor aproveitamento da tela. Todo o conteúdo é exibido nas 5.2 polegadas. Para muitos usuários, o fato do Android ter adotado os botões na própria tela gera um desperdício de espaço.

Seus botões físicos estão na parte direita e todos eles possuem textura. Seria melhor se tivessem mantido apenas um dos botões com a textura, para facilitar a identificação. Na parte superior está a entrada para o fone de ouvido e em baixo, a entrada microUSB. O slot do chip nanoSIM fica escondida no botão de volume, basta puxá-lo.

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Tela

Um dos exemplos no alto investimento dos números está na tela AMOLED com resolução QuadHD. Existem algumas falhas aqui. Dependendo do seu ângulo de visão, é possível perceber uma sutil variação das cores (fica mais evidente quando uma imagem branca é exibida). Essa falha estava presente na primeira geração do Moto X e por algum motivo se repetiu. No entanto, em condições favoráveis, as cores são bem equilibradas, sem saturação de mais, nem de menos.

Ainda são poucas as fabricantes que investiram na tela QuadHD. O smartphone mais popular com a tecnologia é o LG G3, que praticamente introduziu a tecnologia. Se compararmos os dois aparelhos, o modelo da sul-coreana leva uma vantagem considerável. Apesar da alta resolução, a diferença entre a tela do Maxx e de outros modelos com resolução FullHD é difícil de ser notada.

Câmera

Não é segredo que a Motorola encontra dificuldades quando o assunto é câmera. Nenhum dos últimos aparelhos entregaram a qualidade esperada, mas os resultados aqui foram ligeiramente diferentes. Apesar do sensor de 20.7 megapixels (a fabricante arredonda para 21 megapixels), há situações onde as fotos ficam borradas e sem cores. Especialmente quando você está em ambientes de iluminação artificial.

Já em ambientes claros, com iluminação natural, os resultados agradam. Existem alguns modelos que são capazes de tirar fotos melhores, mas no quadro geral ela entrega resultados satisfatórios. Se você está procurando por um smartphone e uma das suas prioridades é uma câmera incrível, fica o aviso de que este não é o modelo ideal.

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Bateria

Sua principal característica é a bateria, a maior já colocada em um smartphone. São 3.900 mAh, praticamente a capacidade de baterias colocadas em tablets. É um celular para usar sem medo de ser feliz. Foi o único do aparelho que me senti confortável para sair de casa mesmo com 40% de carga restante.

Em dias de uso intenso, com muita visualização de conteúdo multimídia, conectado ao 4G e navegando pela web com frequência, a bateria chegou ao final do dia marcando 25% de carga restante. Já num dia de uso moderado, conectado ao Wi-Fi, trocando mensagens, escutando música e assistindo vídeos, foi consumida metade da carga.

Na caixa do aparelho está o carregador Turbo, que possui modo de carregamento padrão, a 8W (1,6A em 5V), e dois modos de carregamento rápido de 14,4W (1,6A em 9V e 1,2A em 12V). Em cerca de 30 minutos na tomada, 35% da bateria havia subido.

Experiência de uso e Sistema

O Moto Maxx ainda roda o Android 4.4 KitKat. A companhia afirma que em breve ele receberá o Lollipop, mas nenhuma data foi divulgada. Depois de ter testado o Moto X e Moto G com a versão mais recente do sistema, foi estranho voltar no tempo. Não considero o atraso em relação aos irmãos como um ponto negativo, mas fica a torcida para que o update chegue o quanto antes.

O processador Snapdragon 805 e a GPU Adreno 420 combinados com os 3GB de memória RAM tornam o desempenho do Moto Maxx invejável. Além dos grandes números, o Android puro contribui ainda mais para uma ótima experiência de uso. Em nenhum momento o aparelho travou ou ficou lento, mesmo com diversos aplicativos abertos e alternados em um curto espaço de tempo.

Outro destaque é o armazenamento de 64 GB, dos quais 52 GB estão disponíveis para o usuário. Para um aparelho que custa R$ 2.399, é um atrativo e tanto.

Todos os recursos do Moto X se repetem no Maxx. No aplicativo "Moto", você gerencia e configura as Notificações Ativas, Assist, Ações e os controles touchless (comandos de voz, "Ok, Google"). Você ainda pode definir a frase que preferir para acordá-lo e dar comandos diversos como "Tocar Apanhador Só no YouTube", abrir aplicativos, escrever mensagens e realizar publicações no Facebook.

Os únicos aplicativos pré-instalados são: o já citado "Moto", o "Ajuda" que oferece suporte da Motorola, permitindo pedir auxílio através de uma ligação ou bate-papo; o "Alerta" que manda uma mensagem rápida para amigos e familiares quando você quiser fornecer informações para que eles possam encontrá-lo; o "BR Apps" com dicas de apps nacionais para download (obrigatório em smartphones beneficiados pela desoneração de impostos do governo) e o "Migração Motorola" que transfere todos os dados do seu Android ou iPhone antigo.

Especificações Técnicas

  • Processador:Qualcomm Snapdragon 805 Quad-core 2.7 GHz Krait 450;
  • Memória RAM: 3 GB;
  • Tela:AMOLED de 5,2 polegadas com resolução de 1440 x 2560 pixels (~565 ppp – pixels por polegada);
  • Câmera: 21 megapixels, (autofoco, dual flash LED), filma em 2160p;
  • Câmera frontal: 2 megapixels;
  • Bateria: 3.900 mAh;
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, Bluetooth 4.0, USB 2.0 e NFC;
  • GPU: Adreno 420;
  • Memória externa: não possui suporte para cartão microSD;
  • Memória interna: 64 GB;
  • Dimensões: 143,5 × 73,3 × 11,2 mm;
  • Peso: 176 gramas;
  • Plataforma: Android 4.4.4 KitKat (com atualização garantida para o Android 5.0 Lollipop);
  • Sensores: acelerômetro, bússola, giroscópio, infravermelho, proximidade.

 

Design e Construção: 7,5

Bateria: 10

Tela: 9

Desempenho: 10

Sistema: 10

Câmera: 8

Custo-Benefício: 9

Geral: 9

Preço

O preço sugerido do Moto Maxx é R$ 2.399,00, mas se você optar pagar a vista no boleto, conseguirá encontrá-lo por valores próximos a R$ 2.100. Até agora, vi poucas promoções. Para quem acha impraticável pagar mais de R$ 2.000 num celular, é uma boa ficar de olho, hora ou outra surge a oportunidade, principalmente em datas comemorativas.

Pontos Positivos

Desempenho, melhor hardware da Motorola
Sistema, Android puro com adições excelentes
Bateria, acima da média

Pontos Negativos

Ergonomia, não é o aparelho mais confortável de segurar
Botões Capacitivos, deixam o aparelho com aspecto antigo

Conclusão

O Moto Maxx conseguiu reunir qualidades de diversos smartphones e ainda acrescentar uma bateria poderosa. Nenhum outro modelo consegue oferecer todas essas qualidades em conjunto e fica difícil apontar defeitos nele. A principal reclamação fica pros botões capacitivos e pra falta de ergonomia que encontramos nos outros modelos da família Moto. Convenhamos que, esses dois pontos negativos não chegam nem perto de estragar o celular.

Este é o melhor Android atualmente, em números absolutos. Mas não é o melhor custo benefício. Se você considera este segundo item mais importante, o Moto X provavelmente é a escolha certa. Agora, se você quer mesmo é desempenho e muitas horas de uso sem se preocupar em colocar seu celular na tomada, o Moto Maxx é uma opção sem igual.