A Motorola lançou o Moto E pensando nas pessoas que ainda não tiveram um smartphone e querem entrar nesse mundo sem gastar muito dinheiro. Existem vários outros aparelhos com o mesmo público alvo, mas a maioria deles deixam a desejar no desempenho. No entanto, os dois últimos lançamentos da empresa foram grandes sucessos, com muitos acertos: Moto X e Moto G deixaram ótimas impressões, tanto que o último se tornou o smartphone de mais sucesso da empresa. Será que a Motorola conseguiu repetir o acerto?

Especificações Técnicas

  • Processador: Snapdragon 200 Cortex-A7 dual-core de 1,2 GHz;
  • Memória RAM: 1 GB.
  • Tela: IPS LCD de 4.3 polegadas com resolução de 540 x 960 pixels (~256 ppp – pixels por polegada).
  • Câmera: 5 megapixels.
  • Câmera frontal: Não possui.
  • Bateria: 1980 mAh.
  • Conectividade: 3G, Wi-Fi 802.11n, GPS, Bluetooth 4.0 LE e microUSB 2.0.
  • GPU: Adreno 302.
  • Memória externa: entrada para cartão microSD de até 32 GB.
  • Memória interna: 4 GB.
  • Dimensões: 124.8 x 64.8 x 12.3 mm.
  • Peso: 142 gramas.
  • Plataforma: Android 4.4.2 KitKat.
  • Sensores: acelerômetro e proximidade.

Design e construção

O Moto E segue os padrões dos outros dois smartphones da Motorola, olhando de longe dá até para confundir o modelo com o Moto G. O aparelho é um pouco mais compacto e encaixa bem na mão graças a curvatura que tem na parte traseira, se você admira celulares menores gostará da pegada que ele proporciona. Apesar de ser construído em plástico, o material não dá a sensação de fragilidade.

Os únicos botões do celular estão na parte direita, com as funções liga/desliga e controle de volume, esses inclusive não apresentam nenhuma firmeza e aparentam que vão deixar de funcionar com pouco tempo de uso. Na parte superior há a entrada para o fone de ouvido e na parte de baixo, a entrada para micro-USB. A pequena faixa prateada na parte de baixo se parece com um botão, mas se trata do alto-falante. A posição agrada principalmente pela facilidade de ouvir música e consumir mídia sem perder ou abafar o som.
Moto-E (7)
Assim como seu irmão mais velho, as capinhas traseiras podem ser removidas e trocadas por outras Moto Shells, mas se prepare para a dificuldade de tirá-las do aparelho. A versão DTV Colors vem com duas opções de cores adicionais, além do tradicional preto ou branco. Ao abrir o aparelho você encontrará os slots para cartão de memória e micro-SIM.

Tela

Os aparelhos dessa categoria normalmente apresentam telas de baixa qualidade. Não podemos dizer que o display do Moto E é sensacional, mas é boa o suficiente. São 4.3 polegadas e resolução de 540 x 960 pixels, com 256 ppp de densidade. As cores são bem vivas, o contraste é bom e o ângulo de visão é OK. Não espere sair em um dia ensolarado e enxergar tudo o que for exibido com facilidade, principalmente se a imagem que estiver visualizando contiver muitos tons escuros, o painel é bem reflexivo. Ao visualizar páginas em branco, é possível reparar em algumas variações de cores que incomodam – fica parecendo um arco-íris. O aparelho ainda é protegido pelo vidro Gorilla Glass 3, o que significa que os arranhões não aparecerão com facilidade na tela.

Imagens do Aparelho

Câmera

O ponto mais fraco do Moto E é sua câmera, mesmo com os 5 megapixels de resolução ela conta com diversos defeitos. Não há flash e o foco é fixo, isso significa que você não terá nenhuma sensação de profundidade em suas fotos. Além disso, mesmo em boas condições de iluminação, a definição da imagem é péssima e esqueça os detalhes. As imagens abaixo explicam:

Apesar de eu não ligar muito para a câmera frontal, sua ausência pode ser um fator decisivo na escolha do aparelho, em tempos de selfies e Snapchat ela pode fazer falta para alguns usuários.

O aplicativo da câmera não traz nenhuma novidade e funciona da mesma forma dos outros modelos da linha Moto. Basta dar um toque sobre qualquer lugar da tela para tirar uma foto, se segurar sobre a tela uma sequência será capturada. A simplicidade reina, mas não faz tanta diferença numa câmera com pouca qualidade.

Bateria

Quando anunciou o aparelho, a promessa era de mais um smartphone "para o dia todo". Felizmente a Motorola cumpriu com o que disse e acertou mais uma vez na autonomia do seu aparelho. Ele é aquele smartphone que você pode sair de casa de manhã e não se preocupar com a bateria pelo resto do dia, independente se utilizar apenas a conexão Wi-Fi, se ativar o 3G, utilizar a tela por mais tempo ou jogar no tempo livre. Se você não utilizar o aparelho tão intensamente, pode pensar em carregá-lo uma vez a cada dois dias, tranquilamente. O modo de economia também ajuda quando ele está chegando aos seus últimos momentos.

Sistema

A proposta da Motorola não é apenas para um celular barato, como disse, envolve aqueles consumidores que estão adquirindo um smartphone pela primeira vez. Manter o Android sem modificações é essencial para quem está descobrindo as novidades desse mundo. O aparelho conta com pouquíssimas modificações e nenhuma delas é na interface – com exceção do aplicativo da câmera. Já se foi o tempo que se dizia que iOS era mais fácil de usar do que Android, o Google trabalhou para deixar seu sistema mais fácil de entender.

A fabricante adicionou apenas cinco aplicativos, entre eles estão o "Ajuda" que oferece suporte da Motorola, permitindo pedir auxílio através de uma ligação ou bate-papo; o "Alerta" que manda uma mensagem rápida para amigos e familiares quando você quiser fornecer informações para que eles possam encontrá-lo; o "Assist" para configurações automáticas de acordo com o local e horário; o "BR Apps" com dicas de apps nacionais para download (obrigatório em smartphones beneficiados pela desoneração de impostos do governo) e o "Migração Motorola" que transfere todos os dados do seu Android ou iPhone antigo.
Moto-E (4)
Na versão DTV Colors, o Moto E ganha mais dois aplicativos: rádio FM e TV digital. Os dois cumprem suas funções de acordo com o nome. Vale citar que a recepção do sinal para a TV digital é boa, mas você terá que utilizar a antena que é colocada na entrada do fone de ouvido. Sem ela, é muito difícil de sintonizar qualquer canal. A qualidade da imagem é boa – ele usa o padrão 1-seg com resolução 320×240 – mas não dá para esperar muita coisa. É possível gravar a programação com facilidade, você pode até mesmo agendar pelo app qual canal e qual horário quer fazer a gravação, ele cumpre bem esse papel desde que você tenha um cartão de memória, já que dos 4GB de memória interna apenas 2,21 GB estão disponíveis para o usuário.

Desempenho geral

A expectativa para um bom desempenho era grande, principalmente depois da experiência positiva com o Moto G. O processador Snapdragon 200 dual-core de 1,2 GHz e 1 GB de memória RAM permitem que o Moto E se saia bem, mas como o próprio preço sugere, está abaixo do seu irmão mais velho. Em tarefas básicas ele se mostra competente, muito mais do que os concorrentes que insistem adicionar camadas de personalização no Android. As respostas aos comandos sempre são rápidas, mas em alguns aplicativos que exigem mais do aparelho as animações travam, um exemplo é o Google Chrome – principalmente quando há várias guias abertas. Se você é um usuários que gosta de jogar enquanto espera na fila ou tem um tempinho livre, poderá rodar os games mais populares como Jetpack Joyride, Timberman e Angry Birds normalmente. Alguns jogos mais pesados também irão rodar bem, mas você irá notar queda de framerate com facilidade.

Preço

  • R$ 449,00 – O modelo mais básico, é a versão com suporte para apenas um chip SIM;
  • R$ 529,00 – O modelo que conta com suporte para dois chips SIM;
  • R$ 599,00 – O modelo que possui suporte para dois chips SIM, TV digital e duas capinhas coloridas.

Pontos Positivos

Desempenho, satisfatório para um aparelho da sua faixa de preço
Bateria, dura o dia inteiro sem preocupações
Preço, bom custo-benefício

Pontos Negativos

Câmera, muito fraca
Botões, aparentemente frágeis

Conclusão e Notas

A Motorola conseguiu repetir o acerto que teve com seus outros dois aparelhos, mas com uma ressalva. Usuários interessados em um smartphone bom e barato na faixa dos R$ 600 devem ir de Moto G, que custa R$ 50 a mais e possui melhor desempenho, tela e câmera. É claro, se a TV digital e o suporte para dois chips não forem itens essenciais.

O Moto E é um ótimo negócio. Tem suas falhas – a câmera é a principal delas – mas usuários que procuram um smartphone simples não encontrarão nada muito superior no mercado. O aparelho é feito mais de pontos positivos do que negativos.

Design e construção: 8
Bateria: 8
Tela: 7
Desempenho: 8
Sistema: 9
Câmera: 4
Custo-benefício: 9

Avaliação final: Nota 7,5 de 10.