Quem é que não fica de vez em quando imaginando como o mundo vai funcionar no futuro? Uma das coisas mais incríveis sobre a tecnologia – e uma das razões pelas quais eu gosto tanto de escrever sobre ela – são as infinitas possibilidades que ela nos oferece para o amanhã. A Intel realizou um evento ontem (23) em São Paulo e mostrou algumas das coisas que já estão disponíveis, outras que estão próximas e algumas que ainda estão distantes, porém em desenvolvimento.

Educação e criatividade

Classmate-PC
Um dos pontos mais bacanas que a Intel citou durante as apresentações foram as iniciativas voltadas para a educação. Temos um grande problema na escola hoje, com toda a velocidade de informações não é fácil prender a atenção na sala de aula, ainda mais quando o tema é considerado chato, o que as vezes apenas quer dizer que é um tema mais complicado de se entender. A utilização da tecnologia para aproximar os alunos desses conteúdos é uma das maneiras efetivas de fazê-lo prender a atenção e o essencial: aprender.
Classmate-tablet
O notebook Classmate PC foi criado no Brasil já está disponível há um bom tempo. Ele é voltado para atividades educacionais e possui uma série de ferramentas que possibilitam a realização de experimentos na sala de aula, estimulando a criatividade e a comunicação. Segundo a companhia, existem parcerias com os governos para a distribuição desses computadores em escolas públicas, mas sabemos que há muito o que ser feito para que essas tecnologias cheguem na maioria das escolas do nosso país.
Galileo-Chip
A Intel mostrou também uma iniciativa voltadas para pessoas curiosas, sejam crianças, entusiastas ou designers profissionais. A placa Galileo foi criada para pessoas que querem brincar com a Internet das Coisas, ela é completamente compatível com o Arduino – existem vários projetos abertos pela internet, com os quais você pode contribuir. A empresa preparou uma demonstração em que uma máquina de fazer bolhas de sabão estava conectada ao Twitter e buscava uma hashtag específica, quando encontrava algum tuíte relacionado, soltava as pequenas bolhas.
Edison-Chip
O Intel Edison funciona de forma muito parecida com o Intel Galileo, a diferença é que ele é muito menor, e voltado para profissionais. É uma placa pequena, pouco maior do que um selo postal ou uma moeda. O desenvolvimento está diretamente relacionado ao dispositivos vestíveis, que estamos vendo surgir. O chip pode ser colocado dentro de objetos, como em uma caneca – para medir a temperatura, por exemplo. O lançamento do Edison está previsto para o fim deste ano.

Tudo sem fio

Charging-Bowl
Os carregadores sem fio já estão disponíveis, apesar de não oferecem uma experiência muito ampla, cada dispositivo tem padrões específicos e é necessário carregadores wireless compatíveis como cada padrão. O problema deve vai continuar por mais algum tempo, apesar disso algumas soluções interessantes já estão sendo desenvolvidas, como a Charging Bowl, uma tigela que carrega a bateria dos seus aparelhos e o melhor: capaz de carregar vários dispositivos ao mesmo tempo.

Tudo fino e versátil

Llama-Mountain -1
O surgimento dos tablets representou a primeira ameaça aos notebooks, que de fato perdeu espaço. Mas sabemos que telas touchscreen não são o ideal de produtividade. Pouco tempo depois a solução chegou: dispositivos dois em um, tablets que se transformam facilmente em um notebook, é só conectar ele ao teclado. O Llama Mountain é a referência de design que a Intel tem para as fabricantes, um dispositivo fino e leve. O híbrido possui tela de 12,5 polegadas, apenas 7,2 milímetros de espessura e 670 gramas, para alcançar esses números a empresa utiliza do processador Core M, que além de possui transistores de 14 nanômetros, consome pouquíssima energia, desse modo a bateria pode ser fina e não perder sua autonomia. E sobre o desempenho, a companhia afirma que essa linha é superior aos processadores Atom.

Há também uma referência de design para um tudo em um. Eles mostraram um dispositivo com tela de 23 polegadas e 20mm de espessura que pode ser carregado pela casa. Serve como um bom centro de entretenimento na sua sala, a tela detecta múltiplos toques e pode ser usada para jogos em grupos. Ela é equipada com um processador Core i5 Broadwell e tem uma placa gráfica Iris.

3D

RealSense
A Intel quer que câmeras 3D estejam disponíveis em mais dispositivos e para isso é preciso torná-las menores. O Intel RealSense permite que os dispositivos enxerguem de uma maneira mais próxima com a qual nós enxergamos, identificando a profundidade. O uso da tecnologia é bem semelhante ao Kinect do Xbox, você pode controlar seu computador a partir de gestos, além de criar objetos 3D, fazendo o mapeamento. Os primeiros dispositivos equipados com o RealSense chegarão ao mercado nos próximos meses – como o tablet futurista Dell Venue 8 7840.

Hologramas ainda parecem distantes da nossa realidade. De fato, é uma tecnologia que ainda apresenta limitações. A empresa apresentou um conceito interessante: usaram uma tela e câmeras 3D fazendo com que uma imagem parecesse flutuar, tudo era controlado através dos gestos. Para enxergar o que está acontecendo é preciso posicionar-se exatamente na frente da "tela". Os usos são infinitos e pode ser especialmente útil em indústrias, locais públicos e até mesmo hospitais, já que você elimina o contato físico com um teclado e as chances de algum tipo de contaminação se tornam menores.

Robôs, veículos e segurança

Jimmy-robo
Robôs também parecem distantes, apesar deles estarem por aí, quase que em todos os lugares. No entanto, robôs ainda não são tão utilizados em nossas casas. Brian David Johnson, futurólogo da Intel, apresentou no final do ano passado o Jimmy, um robô impresso em uma impressora 3D e livre para qualquer pessoa, já que o seu modelo será compartilhado livremente. A ideia é permitir instalação de aplicativos no robô para a execução de tarefas simples. A partir daí é só começar a pensar nas inúmeras possibilidades.

Carros autônomos estão dando passos largos, é inevitável a presença deles daqui a alguns anos. Entre as discussões geradas, uma das maiores preocupações é a eliminação de empregos (vide o vídeo abaixo), mas há aqueles que argumentam que as pessoas não deixarão que tudo seja tão automatizado, o fato é que pessoas gostam de automobilismo. A Intel entende que os carros do futuro deverão ser controlados por nós mesmo que esteja no "piloto automático", detectando sua fala e comportamentos, oferecendo experiências exclusivas de acordo com os hábitos de cada um. O carro seria capaz de aprender o seu comportamento ao longo do tempo e oferecer sugestões baseadas em suas preferências pessoais, usando a inteligência para se adaptar em tempo real ao ambiente de condução.

Um futuro mais digital significa também que hackers poderão controlar as nossas coisas (o game Watch Dogs é um grande exemplo), dessa forma qualquer objeto, de carros a dispositivos portáteis e eletrodomésticos, pode ser conectados e hackeados. A pesquisa da Intel mais recente sobre segurança tem como objetivo identificar essas portas e garantir que os dispositivos permaneçam protegidos contra ameaças cibernéticas. E é bom saber que estão preocupados com isso também.